Chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, inaugura o ótimo Balaio, em plena Avenida Paulista

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Via aorta da cidade, a Avenida Paulista é uma passarela com centros culturais, cinemas, shoppings, museus e prédios icônicos, mas — curiosamente — oferece poucos atrativos gastronômicos relevantes. Por isso merece atenção especial a chegada ao pedaço do Balaio, novo restaurante do chef Rodrigo Oliveira, dos festejados Mocotó e Esquina Mocotó.

BALAIO3O novíssimo Balaio instalou-se num salão recuado no térreo do Instituto Moreira Salles, que inaugurou há um mês (20/9) sua nova e já movimentada sede na Paulista. Na ambientação, destacam-se o bar decorado por 50 luminárias de bambu trançado, quatro mesas comunitárias e grandes portas de vidro que, quando abertas, deixam o espaço arejado e com acesso para um jardim nos fundos do prédio.

BALAIO7Focado na cozinha brasileira, o menu é todo autoral — a única receita “importada” da Vila Medeiros foi o dadinho de tapioca (16 reais a meia porção), um hit do Mocotó que não podia mesmo faltar.

Típico de uma região próxima a Itapetininga, no interior paulista, o rojão de carne de porco temperada (29 reais; foto) serve de inspiração para uma das entradas. Lembra, na aparência e no paladar, uma cafta caipira no espetinho e acompanha farofa de milho e pimenta-de-cheiro.

Exótico, o ceviche de beijupirá (29 reais; foto) com lascas de coco tem leche de tigre encorpado com umbu, fruto nordestino, mas os fãs de ceviche vão sentir falta de mais acidez nele. Sai-se melhor o vinagrete de feijão-verde (25 reais), numa acertada combinação com quibebe (purê de abóbora), queijo de cabra e castanha-de-caju.

BALAIO6Os pratos principais encantam ainda mais. Não perca, por exemplo, o úmido e delicioso arroz de linguiça bragantina com quiabo (54 reais; na foto que abre o post), servido com uma carnuda costela de porco. Também vale a pena provar a tainha assada (59 reais; foto) e apresentada sobre um consistente e saboroso pirão. Completam a receita graúdos mexilhões, camarão, polvo, banana-da-terra, farofinha e um toque indispensável de coentro.

BALAIO2Há ainda pratos para compartilhar, como a moqueca de caju com tucupi, palmito e banana-da- terra (R$ 98,00, para dois; foto), guarnecida de arroz-vermelho e farofa. Quem aprecia sobremesas comedidas no açúcar vai aprovar o ótimo sorbet de goiaba vermelha com pimenta-rosa (9 reais).

A lista de vinhos traz exemplares como os tintos portugueses Luis Pato Baga/Touriga Nacional (145 reais), da região da Bairrada, e Conversa (165 reais), do Douro, e o excelente Pizzato Concentus Gran Reserva (180 reais), assemblage de merlot, tannat e cabernet sauvignon e um dos melhores vinhos nacionais de corte no mercado.

BALAIO_11Os drinques são do bartender Rafael Welbert, que veio do Esquina Mocotó. O bombeirinho de autoria da casa (27 reais) combina cachaça mineira Porto do Vianna envelhecida em carvalho americano, xarope de cereja amarena, Fernet e mix cítrico.

Balaio
Avenida Paulista, 2424 (no térreo do Instituto Moreira Salles), tel.: (11) 2842-9123/9120 e 2949-7049.
Terça a sexta, 12h/15h e 19h30/22h;
Sábado, 12h/17h e 19h30/22h;
Domingo, 12h/17h.
Fecha às segundas-feiras.



HIGHLIGHTS
Balaio

Faixa de Preço: $$
Tipo de Cozinha: Brasileira

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

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