Nova joia da coquetelaria em SP, Santana Bar atrai com receitas autorais e 53 clássicos

Muitos dos melhores endereços paulistanos carregam o mérito de materializar nas receitas, bebidas ou ambiente a paixão de seus proprietários. Percebe-se isso quando se visita o promissor Santana Bar, em Pinheiros, uma das boas surpresas surgidas no fim de 2020.

Hospedada num simpático sobrado na Rua Joaquim Antunes (próximo à Cardeal Arcoverde), a casa foi montada com todo capricho pelo competente bartender Gabriel Santana — e mais dois sócios — como um pequeno templo dedicado à coquetelaria.

Ex-Benzina Bar, Gabriel tem no currículo um feito único. Foi o único a conseguir vencer o concurso World Class Competition por dois países diferentes — pela Suíça, onde morava, em 2017; e pelo Brasil, em 2019.

Ao lado de Vinícuis Demian, com quem divide as ações no balcão, ele apresenta ali nove drinques autorais e, o mais impressionante, 53 clássicos organizados por data — o que permite um divertido passeio pela antiga e recente história da coquetelaria.

Das criações próprias, um gol de placa é o moringa (37 reais; foto), que tem a goiaba e a vodca como protagonistas. Nele, aproveita-se praticamente todas as partes da fruta: faz-se um licor e um bitter com a polpa e um cordial com a casca. Na contramão dos drinques potentes, destaca-se pela delicadeza e teor alcóolico moderado.

Outra escolha sem erro é o limessy (37 reais). Complexo, com notas cítricas e lácteas, combina gim, milk punch (técnica de clarificação com leite), ameixa e limão-taiti.

Também brilha a já citada carta de clássicos, uma das mais completas de São Paulo. No dia da visita, o martinez (gim inglês, vermute tinto e licor de maraschino; 37 reais), datado de 1860, foi executado com maestria.

Fez bonito ainda o potente vieux carré (49 reais; foto). Esta versão do clássico de New Orleans, de 1930, traz uísque americano (bourbon), conhaque Hennessy, vermute tinto e bitters Peychaud’s e de laranja.

Vale ressaltar que o Santana Bar é um cocktail bar ao pé da letra, ou seja, com pouquíssimas sugestões para petiscar.

Entre elas, destaca-se a tábua de queijos artesanais brasileiros (30 reais; foto), na qual pode aparecer o rolinho do bosque, da Capril do Bosque (de Joanópolis, São Paulo), queijo de cabra com mofo branco inspirado no francês sainte-maure de touraine. A pedida acompanha mel, geleia de jabuticaba e tomate seco feito no bar.

Antenada com o “novo normal”, que pede espaços ao ar livre, a casa dispõe de uma atraente varanda logo na entrada com mesas próximas à calçada e banquetas que dão para o balcão.

Santana Bar (@_santanabar)
Rua Joaquim Antunes, 1026, Pinheiros, tel.: (11) 99631-1026.
Segunda a sexta, 16h/20h;
Sábado e domingo, 14h/20h.

 



HIGHLIGHTS
Santana Bar

Faixa de Preço: $$
Tipo de Cozinha: Tira-gostos

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

Seja o primeiro a comentar