Prêmio Taste and Fly: confira os 10 melhores bares inaugurados em SP em 2017

BARESABRE

Depois de muitos bares visitados ao longo de 2017, eis a shortlist das melhores novidades para beber e petiscar que apareceram em São Paulo neste ano. Confira a seguir os 10 vencedores da 3ª edição do prêmio TASTE AND FLY. Endereços inaugurados a partir do início de dezembro de 2016, como foi o caso do Guilhotina Bar, concorrem ao prêmio no ano seguinte. Todos os ganhadores receberão uma placa comemorativa. Desfrute sem moderação!

APOTHEK9# Apothek
Conhecido bartender da cidade, Alexandre D’Agostino desligou-se no início do ano do restaurante Spot, onde trabalhou por 18 anos, para montar um negócio próprio. Sua ideia inicial era desenvolver uma linha de coquetéis engarrafados, mas a empreitada ganhou força e ele se viu obrigado a ter um ponto de venda em São Paulo. Surgiu assim, meio por acaso, um dos melhores (e menores!) bares de coquetéis da capital. Abaixo do nível da calçada, num espaço de 17 metros quadrados, o Apothek parece uma garagem cool dedicada à coquetelaria. Divide o imóvel com uma galeria de arte e funciona só três vezes por semana (às 2as, 5as e 6as-feiras). Deleite para quem aprecia coquetéis potentes, a carta de drinques traz, por exemplo, quatro versões de negroni (25 reais), como o equilibrado negroni jerez (com vermute branco e jerez). Mire também o martinez (30 reais; foto), que segue sua fórmula original, com destilado holandês genever, vermute tinto, licor marasquino e bitters de laranja.
Rua Oscar Freire, 2221, Pinheiros, tel.: 94505-9122.

GOOSEISLANDABRE# Goose Island Brewhouse
Destaque incontestável de 2017, o grandioso bar e fábrica de cervejas da prestigiada marca americana Goose Island (controlada pela Ambev) chegou com estardalhaço e muitas filas ao Largo da Batata. Depois de um início titubeante, quando ainda não produzia seus chopes in loco, a casa acertou o prumo. Jorram das torneiras pelo menos dez sugestões, todas produzidas lá mesmo, sob supervisão do mestre-cervejeiro Guilherme Hoffmann (ex-Cervejaria Nacional). Além das cervejas clássicas da Goose Island (english IPA, wheat ale e english bitter), vale ficar ligado nas receitas exclusivas do brewpub. Entre elas, destacam-se a american pale ale Yellow Line (20 reais; 450 mililitros), que tem dry hopping de lúpulos cítricos americanos, e a também interessante german pils (estilo derivado da pilsner tcheca, daí o toque de amargor) Piney Pils (mesmo preço). Duas pedidas certeiras para acompanhar: o hambúrguer com magret de pato na composição (36 reais) e o crunch crunch (45 reais), filé à milanesa coberto por queijo tipo saint-marcellin.
Rua Baltazar Carrasco, 191, Pinheiros, tel.: (11) 2886-9858.

VITRIOL_LEOFELTRAN1# Guilhotina
Bartender que se especializou em coquetaria na Europa e que tem no currículo muitas consultorias em São Paulo, Márcio Silva finalmente abriu sua própria casa. Juntou-se aos sócios Marcello Nazareth (ex-Conservatorium) e Rafael Berçot para criar o Guilhotina, um dos endereços mais efervescentes da temporada. A casa acerta tanto na ambientação alto-astral como na irreverente carta de coquetéis. Márcio Silva colocou em prática aqui um de seus ideais: despir a coquetelaria de formalidades. Aposta em 23 receitas cheias de personalidade, mas com uma pegada refrescante, quase tropical. Muitos dos drinques são em copo alto com gelo, alguns decorados e outros servidos subversivamente com canudo (uma heresia para os puristas). Uma das boas receitas, o vitriol (29 reais; foto) leva bourbon, negroni, licor de cerejas pretas Cherry Heering, cordial de framboesa e toque picante de gengibre. Escolha também certeira é o gim tônica da casa (29 reais), preparado com gim infusionado com caju e servido com folhas de manjericão e lâmina de manga desidratada. Outra releitura que faz sucesso é o o.c. negroni (31 reais), que é o clássico negroni com infusão em laranja e chocolate (bem perceptível no sabor, aliás). Dica da cozinha: o sanduíche de pastrami com chucrute e mostarda escura (31 reais), ideal para forrar o estômago antes da farra etílica.
Rua Costa Carvalho, 84, Pinheiros, tel.: (11) 3031-0955. Foto: Leo Feltran/Feltran Fotografia

MicaNova2# Mica
Os donos do bar Pitico emplacaram mais um endereço bacana na pequenina Rua Guaicuí, em Pinheiros. No fim de janeiro, numa portinha quase perdida no meio da algazarra noturna que toma conta da viela, inauguraram o bar asiático Mica. De ambientação que remete aos izakayas, os típicos botecos japoneses, a casa dispõe de um estreito balcão de dezesseis lugares aberto para a cozinha, onde são preparadas tentadoras receitas para comer com hashis (16 reais cada uma). Entre elas estão quiabos grelhados com pasta de missô, lula escabeche, guioza de mexilhão e fatias de peixe-prego curado com sour cream e crocante de ervilha picante. Prove também o saboroso filé ao béarnaise (18 reais; foto), com molho preparado com gema de ovo, alga nori e manteiga clarificada. Não perca os ótimos drinques da bartender Ana Paula Moreira, caso do junca (28 reais), que leva rum jamaicano Appleton Estate, calda caseira de manjericão com kimchi e suco de limão-siciliano fresco. Na finalização, polvilha-se pimenta togarashi em pó.
Rua Guaicuí, 33, Pinheiros, tel.: (11) 3360-2608.

SEEN1# Seen
Um dos célebres rooftops de São Paulo, a cobertura do hotel Tivoli Mofarrej, na Alameda Santos, voltou a brilhar em grande estilo. Abriu as portas ali em abril o Seen, classudo bar-restaurante com atmosfera de balada. No 23º andar do cinco-estrelas, a casa buscou dois competentes profissionais para cuidar da cozinha e do bar — o chef William Ribeiro (ex-Bossa) e o bartender Heitor Marin (ex-Tête à Tête). Anote aí: para conferir o vaivém não tem melhor ponto na casa que uma das 24 banquetas ao redor do bonito e enorme bar central. Boa escolha entre os coquetéis autorais é o potente liffey (34 reais), que leva uísque irlandês, Campari, Aperol e vermute tinto e é defumado com casca de jatobá. Vale provar também o exótico latino (34 reais), de paladar salgado e que combina cachaça Leblon Merlet (envelhecida por 2 anos em carvalho francês), leite de tigre fresco, molho de tucupi preto e bitters artesanais de coentro e tamarindo. A cargo do chef William Ribeiro, o menu reúne boas entradinhas para compartilhar. Entre elas, os cremosos croquetes de cordeiro ao molho de mostarda e mel (24 reais; duas unidades) e o carpaccio de polvo (69 reais).
Alameda Santos, 1437 (Tivoli Mofarrej), 23º andar, Jardins, tel.: (11) 3146-5923.

MAJESTIC_CAPA# Majestic
Barman que trabalhou por quase 12 anos no Astor, o carismático piauiense Netinho inaugurou no ano passado o Paramount, botecão na Rua dos Pinheiros que se tornou o mais festejado pé-sujo de coquetéis da cidade. Neste 2017, no fim de outubro, o Paramount ganhou uma espécie de filial, o Majestic — curiosamente instalado quase em frente ao Astor, na Vila Madalena. O novo bar escora-se na mesma fórmula de aliar ambiente sem frescura e drinques bem executados por preços camaradas. Um negroni (foto) com gim inglês Tanqueray, vermute tinto Carpano Classico e Campari, por exemplo, custa 19,90 reais, mesmo preço do fitzgerald, cítrica combinação de gim, suco de limão-siciliano e angostura. Vale provar também o mini dry martini (R$ 16,90), em dose que não esquenta na mesa, e o refrescante gim tônica tangin (R$ 19,90), com gim Tanqueray, geleia caseira de tangerina untada na borda da taça e grãos de café na decoração.
Rua Delfina, 130, Vila Madalena, tel.: (11) 3031-3745.

TOKI3# Izakaya Toki
Inaugurado por três sanseis (netos de japoneses), o izakaya de pegada moderninha chegou em setembro ao quadrilátero mais hipster de Pinheiros. O chef Jean Yoshino, com passagens pelos hotéis Emiliano (SP) e Botanique (Campos do Jordão), é quem assina as receitas para compartilhar, que têm como atrativo extra os preços: a sugestão mais cara custa 31 reais. Vale provar, por exemplo, as tentadoras missô wings (25 reais; foto), asas de frango empanadas lambuzadas com molho ligeiramente adocicado de missô, açúcar, saquê e gema de ovo. Ainda melhores são os pratos principais, como o delicioso tonkatsu ao molho de curry japonês (31 reais, acompanha arroz). A seção etílica reserva poucas e boas sugestões, como o saquê japonês Hakutsuru Josen Dry (28 reais; 120 mililitros) e o equilibrado kombucha spritz (31 reais), drinque de suave amargor que combina a bebida probiótica da moda, o kombucha, com Aperol, Campari e espumante.
Rua Artur de Azevedo, 986, Pinheiros, tel.: (11) 3061-2349.

DOGMA1# Dogma
Uma das mais reverenciadas cervejarias artesanais paulistanas, a Dogma inaugurou em agosto um delicioso tap room em sua recém-aberta fábrica em Santa Cecília. Os tanques de cozimento, fermentação e maturação ficam nos fundos do antigo galpão reformado e abastecem o simpático balcão de 12 lugares e 20 torneiras, montado na parte da frente. Percebe-se no paladar o frescor das interessantes receitas produzidas ali, oferecidas em sistema rotativo, em copos de 180, 350 e 473 mililitros. Torça para estar engatada, por exemplo, a excelente india pale ale Boreas (18 reais; 180 mililitros), que traz a intensidade dos lúpulos citra, simcoe e mosaic em pó, ou a Altazor (14 reais), saison com nectarina e pêssego bem sutis e boa acidez. Diferentemente de um brewpub, o tap room não tem cozinha e trabalha com o sistema de compra prévia de fichas no caixa. Na hora de comer, a saída é pedir delivery na região ou recorrer aos food trucks que estacionam em frente. A casa só abre de quinta a domingo e fecha cedo mesmo às sextas e aos sábados, às 22h30.
Rua Fortunato, 236, Santa Cecília. Não tem telefone.

BRAZELETTRICA1# Bráz Elettrica
Nova empreitada da Cia. Tradicional de Comércio (do Astor, Pirajá e Ici Brasserie, entre outras casas), o pizza-bar de astral cool foi inaugurado em junho e transformou-se num fervilhante endereço da Rua dos Pinheiros. Deriva da rede de pizzarias Bráz, também da CTC, mas tem vocação bem mais descolada. O enxuto cardápio é assinado pelo americano Anthony Falco, que foi o pizzaiolo da célebre pizzaria Roberta’s, no Brooklyn nova-iorquino. Dois fornos elétricos italianos assam os discos individuais de inspiração napolitana. Entre as coberturas que fazem mais sucesso estão a de calabresa picante com mussarela, manjericão e um fio de mel (25 reais) e a de queijos fontina, mussarela de búfala e grana padano com toque discreto de alho (29 reais). Há boas cervejas da Blondine para bebericar, como a ótima session IPA Horny Pig (24 reais). Atrativo extra da Elettrica é o horário de funcionamento que avança na madrugada. Fecha à 1 da manhã de segunda a quinta e às 4 da manhã às sextas e aos sábados.
Rua dos Pinheiros, 220, Pinheiros, tel.: (11) 3061-5132.

FORNO_AMBIENTE# Fôrno
Inaugurado no fim de julho pelos mesmos sócios do Holy Burger, também na Vila Buarque, o Fôrno converteu-se num instantâneo “hot spot” da região central da cidade. As filas por um lugar ao sol passam fácil de 1 hora e meia nas noites de 6a-feira e sábado. Com encantadora ambientação, a casa ocupa o piso superior de dois sobrados geminados, com acesso por uma única escada. Os atrativos do cardápio são receitas que saem de três fornos— a lenha, a gás e elétrico. Neles são preparados sanduíches com quatro tipos de pães de fabricação própria e pizzas individuais ao estilo napolitano — ou seja, de massa menos crocante que a nossa paulistana. O portentoso sanduba de pastrami (foto) já é um hit do lugar. Vem com mostarda de Dijon, dill e picles de pepino no pão de campagne (40 reais; acompanha batata frita). Na ala etílica, destacam-se os drinques executados pelo barman Renan Iodjhn (ex-Myk), como o bloody mary (31 reais), com suco de tomate preparado a partir do molho de tomate italiano usado nas pizzas, e o smoked boulevardier (35 reais).
Rua Cunha Horta, 70, Vila Buarque, tel.: (11) 2645-9499.

TEXTOS: Fabio Wright
CHECAGEM: Jennifer Detlinger

 

 

 

 

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

1 Comment

  • responda January 5, 2018

    Murilo Gagliardi

    Fabio, adorei a sua relação de bares. Desconhecia 60% dessa lista. Abração!

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