Prêmio Taste and Fly: confira os 10 melhores restaurantes inaugurados em SP em 2017

MALLOREDUS_EVVAI

O ano de 2017 foi particularmente pródigo em estreias gastronômicas em São Paulo. Foi tarefa difícil chegar aos 10 melhores do ano com tantas novidades bacanas. Depois de dezenas de visitas, eis uma seleção do que de melhor surgiu nos últimos doze meses. As visitas aos endereços vencedores foram todas anônimas e cada um deles receberá um certificado do prêmio.

EVVAI8# Evvai
Uma das grandes estreias gastronômicas de 2017, o endereço vem arrebatando paladares desde sua inauguração, no fim de julho. Ocupa o mesmo ponto da Rua Joaquim Antunes onde funcionava o extinto Loi. Reformulado, reabriu com atmosfera mais informal e preços mais comedidos que o antecessor. Assumiu a cozinha um talentoso discípulo do chef Salvatore Loi — o jovem Luiz Filipe Souza, de 28 anos, que era subchef da antiga casa e ganhou o posto de protagonista. Seu criativo menu destaca receitas italianas com toques modernos. Uma das melhores entradas, o tartar de carne (45 reais) apresenta um delicioso contraste de texturas. Traz bombom de alcatra ou filé-mignon incrementado por ovas de truta de sabor suave, curadas em prosecco, e fininhas lâminas de batata frita. A lista de pratos principais é ainda mais tentadora. Dela fazem parte sugestões como o delicado tortellini de vitelo (63 reais) de cozimento al dente, servido com fonduta de grana padano, espuma de creme de leite e tomilho e um saboroso demi-glace da própria carne. Também se destacou nas visitas realizadas o malloreddus (massa curta de sêmola e açafrão típica da Sardenha; 54 reais; foto), que leva tomate pelado, cubinhos de guanciale (bochecha de porco curada) e um interessante toque de erva-doce. A estrela entre as carnes é o maialino (68 reais), que traz pernil e paleta de leitão assados por 36 horas em baixa temperatura com purê de feijão-branco, uva crimson e radicchio grelhado.
Rua Joaquim Antunes, 102, Jardim Paulistano, tel.: (11) 3062-1160.

PICCOLO MALTAGLIATA# Piccolo
Numa parceria afinada, o chef Marcelo Laskani e o ex-maître Maurício Cavalcante criaram em 2015 um dos mais falados restaurantes italianos da nova geração — o Più, no Baixo Pinheiros. Neste 2017, a dupla atacou novamente e acertou em cheio. Abriram no início de fevereiro o concorridíssimo Piccolo, na Rua dos Pinheiros. De pegada mais autoral, o cardápio traz nova leva das massas frescas que deram fama ao Più. Brilha, por exemplo, a scarpinocc (61 reais), delicada massa originária da Lombardia recheada de polenta discretamente trufada. Completam o prato fatias de rosbife de cordeiro e molho do próprio assado da carne. Na lista de entradinha, segue imbatível o ravióli recheado de gema de ovo e aspargo (31 reais), servido com fonduta de queijo castanho curado. No almoço de segunda a sexta-feira, o Piccolo oferece um concorrido menu-executivo (entrada, prato e sobremesa) por 48 reais. Torça para aparecer entre os principais, o maltagliatti (“mal cortado”, em italiano; foto) ao molho bolonhesa cozido por 12 horas e de sabor marcante.
Rua dos Pinheiros, 266, Pinheiros, tel.: (11) 3213-8449.

BALAIO_ABRE_4# Balaio
Novo restaurante do chef Rodrigo Oliveira, dos festejados Mocotó e Esquina Mocotó, o Balaio instalou-se num salão no térreo do Instituto Moreira Salles. Focado na cozinha brasileira, o menu é todo autoral — a única receita “importada” da Vila Medeiros foi o dadinho de tapioca (16 reais a meia porção), um hit do Mocotó que não podia mesmo faltar. Os pratos principais encantam. Não perca, por exemplo, o úmido e delicioso arroz de linguiça bragantina com quiabo (54 reais; foto), servido com uma carnuda costela de porco. Também vale a pena provar o peixe do dia assado (59 reais), apresentado sobre um saboroso pirão e servido com mexilhões, camarão, polvo, banana-da-terra, farofinha e um toque indispensável de coentro. Há ainda pratos para compartilhar, como a moqueca de caju com tucupi, palmito e banana-da-terra (98 reais, para dois), guarnecida de arroz-vermelho e farofa. A lista de vinhos traz o excelente Pizzato Concentus Gran Reserva (180 reais), assemblage de merlot, tannat e cabernet sauvignon e um dos melhores vinhos nacionais de corte no mercado.
Avenida Paulista, 2424 (Instituto Moreira Salles), tel.: (11) 2842-9123/9120.

LOUP4# Loup
Dono do Cantaloup, que completou 20 anos em plena forma no ano passado, o cioso restaurateur Daniel Sahagoff criou mais um endereço capaz de impressionar no Itaim. Inaugurou em fevereiro, na Rua Mário Ferraz, o concorrido Loup, que a exemplo da casa-mãe também seduz pela caprichada ambientação. Jardins verticais, móveis assinados por designers e adegas para vinho e cervejas artesanais pontuam seus dois elegantes salões. De múltiplas nacionalidades, o cardápio traz uma generosa lista de sugestões para compartilhar, caso das cremosas croquetas de jamón ao bechamel (24 reais a porção) e do delicioso steak tartar de cordeiro com molho inglês e pipoca de arroz selvagem (48 reais). Outro destaque da casa é o raw bar, que solta, por exemplo, ostras de Florianópolis temperadas com salsa de pepino, gengibre e shissô (27 reais; 4 unidades). Nas visitas realizadas, destacaram-se entre os pratos principais o ótimo arroz de pato à portuguesa (73 reais; foto); o fettuccine ao pesto com camarões grelhados (82 reais) e o arroz arbóreo (que lembra um risoto) de abóbora e linguiça curada de Bragança Paulista e queijo-de-minas (65 reais).
Rua Doutor Mário Ferraz, 528, Itaim Bibi, tel.: (11) 3078-0484/1089.

PEIXARIA MITSUGI# Peixaria Mitsugi
Bairro que sempre revela boas surpresas aos caçadores de sabores orientais, a Liberdade ganhou em março um endereço tão bom quanto improvável. Escondida nos fundos de uma soturna galeria, a Mitsugi funcionava desde 1971 apenas como peixaria. Em março, ganhou novo perfil ao ser comprada por um antigo cliente, o psicanalista Luis Fernando Santos. Chegaram dez mesinhas e um balcão e o local passou a abrir também à noite. Anote: come-se ali um dos melhores sashimis da cidade. O sushiman principal é o maranhense Antônio Kleber da Silva, que trabalha ali há vinte anos e aprendeu o ofício de fatiar atum, salmão, pargo, carapau, cavalinha, olho-de-boi e outros peixes com o já falecido fundador da peixaria, o imigrante japonês Sozaburo Mitsugi. Os cortes — apenas sashimis — são cobrados por peso (190 reais o quilo), com o pedido mínimo de 200 gramas. Outro mérito do lugar é a enxuta e eficiente carta de drinques. Vale provar, por exemplo, o ótimo old fashioned feito com Sailor Jerry (spiced rum feito na Escócia com matéria-prima caribenha; 25 reais) e o cygroni (negroni com Cynar no lugar do Campari; 25 reais). Recomenda-se reservar para as noites de sexta e sábado (pelo email peixariamitsugi@gmail.com).
Rua Galvão Bueno, 364, Liberdade, tel.: (11) 3567-7670.

PETI4# Petí Panamericana
Inaugurado em 2015 em Perdizes, o Petí projetou-se como um raro endereço de SP capaz de unir a cuidadosa gastronomia contemporânea com preços realmente atraentes. Neste ano, o chef-proprietário do restaurante, Victor Dimitrow, promoveu uma bem-vinda expansão da marca com a abertura de mais dois Petís, nos prédios da Escola Panamericana de Arte da Avenida Angélica e da Rua Groenlândia. Os novos Petís funcionam apenas no almoço, quando oferecem um bufê de salada mais um prato a escolha pelo preço fixo de 39 reais. Isso mesmo: 39 reais. Entre os pratos principais estão o arroz de cordeiro coberto por couve crocante e pimenta-biquinho; a peça bovina angus de músculo assada com terrine de batata-doce; e o peixe confitado (foto) servido com um interessante pesto de dill. Somente aos sábados, a filial de Higienópolis funciona em esquema diferente, quando serve brunch a la carte num terraço dos mais agradáveis, no 4º andar do prédio da Avenida Angélica. Entre as rotativas sugestões, torça para aparecer o taco de cupim desfiado, guacamole, coentro e picles de maxixe (22 reais) ou o waffle de queijo com carne suína desfiada e ovo estalado (18 reais).
Avenida Angélica, 1900 (4º andar), Higienópolis, tel.: (11) 3661-9685.
Rua Groenlândia, 77 (2º andar), Jardim América, tel.: (11) 3885-5143.

COR_TOP10# Cór
Bairro um tanto carente de boa gastronomia, Alto de Pinheiros ganhou finalmente um restaurante de primeira. Na imponente esquina onde funcionou por doze anos o finado Fidel, surgiu no fim de março o Cór, casa que teve a consultoria do badalado chef-açougueiro peruano Renzo Garibaldi, dono do Osso Carnicería y Salumeria, em Lima. Na churrasqueira aberta para o elegante e amplo salão são assadas ótimas carnes, como fraldinha (79 reais) e assado de tira (89 reais) e também peças que passaram por maturação a seco. Esta técnica, conhecida como dry-aged, concentra sabores e quebra as fibras, tornando-as mais macias. Os cortes dry-aged são cobrados por peso, com pedido mínimo de 500 gramas. Paga-se 22 reais a cada 100 gramas das peças maturadas de 14 a 30 dias, por exemplo. Numa das visitas realizadas foi possível provar o prime rib (bife ancho com osso) maturado por 60 dias, de exemplar maciez e deliciosamente rosado por dentro. A cozinha ganha pontos também pelos acompanhamentos. Exibem personalidade, por exemplo, o repolho na brasa com pasta de; castanha-do-pará e molho de ostras (19 reais); o vinagrete de banana-da-terra (12 reais); e os legumes na grelha com toque de vinagre balsâmico (19 reais).
Praça São Marcos, 825, Alto de Pinheiros, tels.: (11) 3726-2908 e (11) 3021-2399.

BASILICATA2# Basilicata
Quem não foi neste ano ao Bixiga atrás dos cobiçados pães italianos e antepastos da centenária Basilicata certamente ficará surpreso na próxima visita. Uma das padarias decanas de SP, fundada em 1914 pelo imigrante do sul da Itália Filippo Ponzio, o endereço passou em março por sua maior transformação em 103 anos de história. Deixou o apertado espaço que ocupava na Rua Treze de Maio e transferiu-se para dois imóveis vizinhos, bem mais espaçosos. Com a mudança, a Basilicata ganhou outro trunfo: um adorável restaurante no piso superior, com decoração caprichada na qual se destaca o teto recoberto de pás de padeiro. Quem cuida da cozinha é o jovem chef Rafael Lorenti, de 28 anos, da quinta geração de descendentes do fundador. Centrado em receitas do sul da Bota, o extenso menu traz entradinhas como as tentadoras lulas empanadas na farinha de rosca (39 reais). Também despertam o apetite massas que custam menos de 50 reais, como o fusilli com molho de tomate e farofa de pão (49 reais); o espaguete caccio e peppe (49 reais); o nhoque tostado acompanhado de ricota fresca, rúcula e tomatinhos (47 reais); e a maltagliata (massa cortada em tiras irregulares) com fava e pancetta (42 reais).
Rua Treze de Maio, 596, Bela Vista, tel.: (11) 3289-3111.

MONDO1# Mondo
A legião de seguidores paulistanos do chef italiano Salvatore Loi já está lotando o novíssimo Mondo, endereço que ressuscitou a agradável esquina da Rua Oscar Freire com a Alameda Casa Branca que abrigou até 2002 o Limone e estava fechada há anos. Nesta nova empreitada, Loi (também sócio do Moma, no Itaim) uniu-se ao empresário Lalo Zanini (da Tartuferia San Paolo) e escolheu para tocar o dia-a-dia da cozinha a competente chef Juliana Rezende, com quem já havia trabalhado. São tentadores os pratos principais que levam a marca registrada de Loi, como sua lasanha com ragu de vitelo, molho demi-glace e fonduta de grana padano (79 reais). Um interessante contraste entre salgado e doce dá graça ao risolio (risoto sem manteiga) de codorna desfiada, castanha portuguesa em lâminas e mosto cotto (um creme adocicado de uva-passa e vinho tinto reduzido). Na finalização, o prato (62 reais) é polvilhado de chocolate amargo (com 70% de cacau) temperado com especiarias. De valor atraente (60 reais), o menu-executivo servido no almoço de segunda a sexta-feira até 15h inclui atualmente o ótimo brasato bovino ao vinho tinto com risoto de açafrão (foto) como prato principal e dá direito a escolher entrada e sobremesa no cardápio chamado mezzogiorno.
Rua Oscar Freire, 30, Jardins, tel.: (11) 3061-2787.

HOSPEDARIAMASSA# Hospedaria
A querida Mooca passou por uma pequena grande revolução gastronômica nos últimos doze meses. Jovens talentos das panelas escolheram o antigo reduto italiano de São Paulo para instalar seus restaurantes de pegada mais autoral. Um dos pioneiros desta onda foi o chef Fellipe Zanuto, que criou bem em frente à tradicional doceria Di Cunto o descolado Hospedaria. Visitá-lo é um programão para quem quer ver vida fora do habitual circuito de restaurantes da cidade. O endereço destaca-se pelo ambiente de astral moderninho e pelo atendimento simpático e conta até com uma simpática sommelière, Gabrielli Fleming, que montou uma carta só com vinhos nacionais. A cozinha do Hospedaria é rústica e ora brilha mais aqui que ali. Acerto entre as entradas, a linguiça suína grelhada (36 reais) vem acompanhada de brioche de leite, mostarda fermentada, geleia de cebola e picles de pepino, que confere acidez à combinação. Dois pratos que já viraram xodós dos clientes são o bife à milanesa (48 reais), fininho e sequinho, servido com salada de batata e agrião; e o pappardelle à bolonhesa (52 reais; foto) finalizado em forno a lenha, com massa fresca feita na casa, molho de tomate com carne suína e bovina e queijo meia-cura ralado. Duas novidades no menu são a lasanha de espinafre (42 reais) e o arroz de bacalhau confitado (62 reais).
Rua Borges de Figueiredo, 82, Mooca, tel.: (11) 2291-5629.

TEXTOS: Fabio Wright
CHECAGEM: Jennifer Detlinger

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

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