Prêmio Taste and Fly: confira os 10 melhores endereços inaugurados em SP em 2020

Pelos motivos conhecidos por todos, teremos uma edição mais enxuta do prêmio TASTE AND FLY neste ano de pandemia. Apresentamos a 6ª edição consecutiva da premiação e desta vez vamos contemplar os 10 melhores endereços inaugurados na cidade de São Paulo em 2020, entre bares e restaurantes (lembrando que casas abertas no fim do ano passado também concorrem). Lugares que não estavam respeitando os protocolos de distanciamento não foram avaliados. Cada uma das casas campeãs receberá um certificado. Desfrute e compartilhe!

# Chez Claude São Paulo (@chez.claudesp)
Os estrelados chefs cariocas finalmente colocaram São Paulo no radar de suas expansões gastronômicas. Se no ano passado a badalação foi em torno do Pipo, do chef Felipe Bronze, neste ano quem roubou as atenções foi o carismático Claude Troisgros. Ele e o filho Thomas inauguraram em setembro no Itaim uma filial do ótimo Chez Claude. Aos cuidados da gaúcha Carol Albuquerque (foto), o instigante cardápio contemporâneo traz receitas dispostas a surpreender. Uma entradinha exclusiva da filial paulistana traz polvo (42 reais) valorizado por caldo de tucupi ligeiramente picante mais coentro e biju de milho. Os pratos principais são servidos no centro da mesa, para compartilhar. Um dos melhores é o peito de pato laqueado (82 reais; foto), tenro e de ponto rosado. Vem combinado com cebola glaceada, kimchi, macadâmia e risoni (macarrão em formato de arroz) num delicioso molho bordelaise com redução de suco de laranja que leva cravo, canela e anis. Receitas que viraram marca-registrada do império Troisgros também estão no menu, a exemplo do creme de ovo com caviar (42 reais) e do peixe caramelado com banana (84 reais).
Rua Professor Tamandaré Toledo, 25, Itaim Bibi, tel.: (11) 3071-4228.

# Caledonia Whisky & Co. (@caledoniawhiskyco)
Uma das joias de 2020, o Caledonia é um raro endereço paulistano que celebra o universo dos uísques, bourbons e single malts num cardápio com incríveis 120 rótulos. Parte da coleção à venda pertence aos proprietários Maurício Porto e Guilherme Valle, criadores do blog O Cão Engarrafado. A dupla montou interessantes degustações temáticas. Pode-se provar diferentes bourbons, blends premium, rótulos de uma mesma destilaria e até de uma região específica da Escócia, como os turfados e defumados single malts da Ilha de Islay — o Laphroaig Select, o Ardbeg 10 anos e o Bruichladdich Port Charlotte Scottish Barley. Ótimos coquetéis com uísque também lubrificam a alma. Criado em New Orleans no século 19, o complexo blackthorn (33 reais) leva uísque irlandês, vermutes seco e tinto, absinto e bitter de cardamomo. Também agradam os clássicos rob roy (Johnnie Walker Double Black, Talisker, vermute tinto e Angostura; 36 reais) e o old fashioned com Maker’s Mark (37 reais). Entre as pedidas da cozinha, destacam-se o parrudo scotch egg (15 reais) — o bolovo escocês — e o inconfundivelmente britânico sanduíche triangular de pepino fatiado com maionese de dill no pão de forma (24 reais).
Rua Vupabussu, 309, Pinheiros, tel.: (11) 3031-0840.

# Metzi (@metzirestaurant)
Depois de trabalharem juntos no badalado nova-iorquino Cosme, os chefs Eduardo Nava Ortiz e Luana Sabino decidiram trazer para São Paulo um novo conceito de cozinha mexicana, mais descolada e moderninha. O casal — ele, mexicano de Oaxaca; ela, paulistana — inaugurou em setembro o Metzi, em Pinheiros. De apresentação cuidadosa e tamanho comedido, os pratos trazem sempre um toque autoral. Uma pedida certeira é a memela de suadero (40 reais; foto). Trata-se de uma tortilha de milho mais alta sobre a qual é colocada uma acertada combinação de ingredientes — frijoles refritos, salsa de physalis, costela bovina em cubinhos, ricota e, claro, pimenta-jalapeño. Também faz bonito a tlayuda (40 reais). Receita típica de Oaxaca, é uma tortilha grande e fina cortada em quatro fatias, como uma pizza. Na versão do Metzi, traz sobre ela chouriço, hortelã, manjericão e um queijo defumado tipo oaxaca que é preparado exclusivamente sob encomenda. Para finalizar, é obrigatório provar o mole (45 reais), apesar da porção um tanto pequena. Cheio de nuances sabor, engloba 53 ingredientes e é cozido por sete dias. Do bar, prove a clássica margarita incrementada com interessante toque picante de jalapeño (37 reais).
Rua João Moura, 861, Pinheiros, tel.: (11) 9-8045-5022.

# Jiquitaia Paraíso (@jiquitaia)
Um dos mais festejados endereços de cozinha brasileira de São Paulo, o Jiquitaia ficou ainda melhor neste 2020 ao trocar de endereço. O restaurante mudou-se para o Paraíso, onde passou a ocupar uma sedutora casa estilo anos 50. Com a cozinha agora equipada com uma grelha a carvão, o chef Marcelo Corrêa Bastos aproveitou para renovar o menu — sem deixar de lado sugestões como o imperdível quiabo ao missô (20 reais; foto) e o arroz de pato com tucupi e jambu (70 reais). Uma das novidades mais instigantes é o coração de boi na brasa (35 reais). Macias e de ótimo ponto rosado, as fatias da carne vêm cobertas de cambuquira (broto) de abobrinha e um molho picante na medida. Vale provar também a batata-doce (20 reais) valorizada por queijo azul mineiro Serra das Antas e compota de pimenta-biquinho e a fraldinha (75 reais) com salada de batata e farofa de ovo. Nos fins de semana, entram no menu a feijoada (63 reais; aos sábados) e o leitão à pururuca (160 reais, para dois; aos domingos). Um atrativo do antigo Jiquitaia, o bar comandado por David Moraes e Nina Bastos (irmã do chef) segue com precisas caipirinhas e coquetéis como o caju-amigo com a cachaça Princesa Isabel (27 reais).
Rua Coronel Oscar Porto, 808, Paraíso, tel.: (11) 3051-5638.

# Tujuína (@tujuinarestaurante)
Diante do cenário da pandemia e da quarentena, o chef Ivan Ralston decidiu fechar o premiado Tuju (que promete reabrir no futuro, em novo endereço) e transformar o imóvel num restaurante mais informal e com receitas à la carte. Nasceu assim o Tujuína, casa que carrega o DNA da antecessora, sobretudo nas experimentações com ingredientes brasileiros. Entre as agradáveis surpresas ao paladar estão o gaspacho de acerola (42 reais; foto). Saboroso e de acidez no ponto, vem incrementado com marisco branco. Também imperdível é a ótima combinação de ovo de pata, farofa de canjica, folhas de ora-pro-nóbis e um delicado creme de ouriço (56 reais). Depois das entradinhas, escolha um dos pratos principais, alguns em porções generosas, para dividir. É o caso do joelho de porco com feijão-manteiguinha (108 reais) e do macarrão cabelo-de-anjo com tinta de lula, aïoli e tenras lulas tostadas (98 reais). Ainda que a carta de bebidas exiba uma boa oferta de vinhos, cervejas artesanais e coquetéis, por que não dar uma variada e pedir uma sidra francesa para parear a refeição? Uma boa escolha é a Kerné (88 reais; 750 mililitros), da Bretanha.
Rua Fradique Coutinho, 1248, Vila Madalena, tel.: (11) 2691-5548.

# Huevos de Oro (@huevosdeorobar)
Dupla de sommelières por trás do premiado bar de vinhos Sede 261, Daniela Bravin e Cassia Campos inauguraram em setembro uma radiante taberna espanhola na Avenida Pedroso de Morais, em Pinheiros. No piso superior de um sobrado, a casa atrai pela seleção de vinhos e pelas inspiradas tapas espanholas assinadas pela chef Ligia Karazawa (ex-Eataly). Entre elas estão a cremosa croqueta de cocido madrileño (12 reais; 2 unidades), os graúdos mexilhões com delicioso vinagrete de jerez (20 reais) e as gambas al ajillo (45 reais) — camarão-rosa de ótimo ponto com alho frito e bastante azeite. A casa também faz bonito no quesito etílico. Para começar, vale apreciar um vermute à maneira espanhola, como um aperitivo. Coisa raríssima na cidade, o Huevos de Oro conta ainda com uma bacana carta de jerez. São 20 sugestões em taça deste vinho fortificado da região da Andaluzia que vem ganhando cada vez mais adeptos em São Paulo. Na lista, que classifica e explica as diferenças entre os estilos de jerez (fino, amontillado, oloroso, palo cortado), uma boa escolha é o oloroso Don José Sánchez Romate (35 reais a taça), joia que passa 18 anos em solera.
Avenida Pedroso de Morais, 267, Pinheiros, tel.: (11) 9-4507-3118.

# Cais (@restaurantecais)
Inaugurado no fim do ano passado, em novembro (e por isto postulante ao prêmio neste ano), o Cais é um daqueles restaurantes que faz jus à expressão ‘menos é mais’. Poucas — e ótimas — receitas com pescados norteiam o cardápio do endereço, hospedado num simpático sobradinho de atmosfera cool na Vila Madalena. Um dos jovens sócios da casa, Guilherme Giraldi cuida da charcutaria e do salão, enquanto a cozinha fica aos cuidados do também sócio Adriano de Laurentiis, chef que passou pelos restaurantes Corrutela, Tuju e Manioca. De produção própria, o saboroso chorizo de atum já se tornou uma das sugestões mais queridinhas da casa. No dia da visita, foi possível provar o embutido numa tostada junto com queijo minas-padrão derretido e molho chimichurri (41 reais). Também especial é a tenra lula grelhada com equilibrado creme de alho com ervilha mais pão da casa (47 reais). Dos três pratos principais, o que mais brilhou foi a posta de olhete defumado numa bela combinação com caldo agridoce de maçã, repolho (que dá acidez) e um sedoso purê de batata (67 reais). A carta de vinhos dá prioridade aos rótulos orgânicos, naturais e biodinâmicos.
Rua Fidalga, 314, Vila Madalena, tel.: (11) 3819-6282.

# Tank Brewpub (@tank_brewpub)
Quatro anos depois de abrir o Ambar, bar que contribuiu para transformar Pinheiros num polo da cerveja artesanal em São Paulo, os paulistanos Julia Fraga e Fabio Comolatti resolveram investir numa empreitada mais ousada — criar um brewpub. O casal inaugurou em setembro o bacana Tank, em Pinheiros. Com ambientação cativante, a casa fabrica lá mesmo até 15 estilos de chope, servidos em charmosas taças de 290 mililitros ou pints de 473 mililitros. Uma das paredes, toda envidraçada, permite avistar os tanques de fermentação e maturação usados para produzir até 8 mil litros por mês. Para começar a jornada etílica, vale provar o nárdz (12 reais), pilsen à moda tcheca com o delicioso amargor do lúpulo saaz que caracteriza o estilo. Também interessante é a sour papaya (18 reais), leve e com aroma marcante de mamão. Há boas escolhas também no time das IPAs, a exemplo do Hop Singles HBC 472 (19 reais), que apresenta inusitadas notas de coco, e da equilibrada west cost Dank The Tank. Dica: para provar vários estilos sem se embebedar, recorra à régua de degustação (26 reais), com quatro chopes diferentes em copinhos de 110 mililitros.
Rua Amaro Cavalheiro, 45, Pinheiros, tel.: (11) 9-3208-2352.

# Astor Jardins (@barastor)
Os sócios do bar Astor fizeram um gol de placa neste ano ao abrir uma bela filial da casa nos Jardins. Lotada desde a inauguração, em outubro, foi erguida na privilegiada esquina das ruas Oscar Freire e Peixoto Gomide — onde funcionou por quase duas décadas o pub All Black. Por incrível que pareça, faltava nos Jardins um endereço com este perfil de happy hour, com chope tirado no capricho, mesinhas à beira da calçada e petiscos bem-feitos. Repleto de tentações, o menu resgata receitas da velha-guarda, como picadinho de filé-mignon (65 reais) e o estrogonofe (60 reais). Entre as novidades desta nova unidade aparecem o salmão curado no gim e beterraba (42 reais; foto) e o arroz tipo bomba no caldo de costela servido com purê de cebola caramelizada e uma costela de ripa assada no carvão (79 reais). A carta de coquetéis é assinada por Fabio La Pietra, do SubAstor. Transita por clássicos como o tuxedo (gim, vermute seco, licor de cereja ao marrasquino, absinto e bitter de laranja; 34 reais) e outros com um twist autoral, a exemplo do robusto coffee fashioned (34 reais), versão do old fashioned com toque de xarope de café e bitter de chocolate.
Rua Oscar Freire, 163, Jardins, tel.: (11) 2299-5332.

# Bark & Crust (@barkncrust)
Inaugurado em janeiro, projetou-se como um dos melhores endereços paulistanos para provar o chamado american barbecue. É aquele tipo de churrasco em que as carnes são defumadas lentamente no pit smoker, churrasqueira fechada aquecida com lenha. Por trás da empreitada está o paulistano Daniel Lee, considerado um dos papas brasileiros no assunto. A casa atrai também pelas bonitas instalações, que incluem um bar anexo e açougue, onde são preparados embutidos como a linguiça suína com raspas de laranja (25,70 reais; foto). Dos cortes defumados, aposte no ótimo brisket (95,70 reais; 300 gramas), que fica oito horas no pit smoker e é servido com saborosa gremolata (molho de salsinha com azeite e alho). A casa assa também cortes dry-aged, a exemplo do new york strip — contrafilé maturado a seco por 60 dias (139,70 reais). Para bebericar, escolha entre o chope Goose Island Session IPA (24,70 reais) e o coquetel rabo-de-galo (28,70 reais), preparado com cachaça baiana Serra das Almas Prata, vermute tinto Carpano e Cynar.
Rua Artur de Azevedo, 657, Pinheiros, tel.: (11) 2649-0950.

Preços checados em dezembro de 2020.

Foto do abre (pato laqueado): Tati Frison/Divulgação.

Agradecimento especial aos sempre parceiros nas visitas Roberta ♥, Luiz Segre e José Flávio Júnior.

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

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