Novíssimos Bia Hoi, Fel, Orfeu e filial do Z Deli redesenham badalação no centro de SP

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O vento das novidades começou 2018 soprando com força na direção do centro de São Paulo. A região que já fervia está agora fervendo ainda mais com a inauguração nos últimos dois meses de pelo menos quatro casas bacanas no pedaço. Endereços como o vietnamita Bia Hoi, o bar de coquetéis Fel, o hypado Orfeu e a mais bacana unidade da lanchonete Z Deli estão redesenhando o mapa de hotspots do quadrilátero. Confira:

FEL5# Fel
Aos pés do Copan e sem nome na porta, o descolado e pequenino bar de coquetéis foi inaugurado no dia 3 de janeiro por Bruno Bocchese (do bar Mandíbula) e mais dois sócios. De atmosfera cool, dispõe de um já concorridíssimo balcão de mármore de 13 lugares onde é possível beber confortavelmente, sem lotação (uma hostess não deixa a lotação da casa passar de 25 pessoas). O lema da carta de drinques da bartender Michelly Rossi (ex-Frank Bar) é resgatar receitas que ficaram esquecidas na literatura etílica. Entre as 13 sugestões (35 reais cada uma) está o amargo e encorpado saratoga (foto que abre o post), que leva brandy de jerez, bourbon, vermute e angostura. Na visita realizada, os drinques saíram redondíssimos. Também agradou o seco e equilibrado coronation #1 (foto), com jerez, licor maraschino Luxardo, vermute seco francês Dolin de Chambéry, bitter de laranja e angostura. Fique ligado: o bar por enquanto só aceita pagamento em dinheiro e fechas às 3as e 4as-feiras. Para tapear a fome, aposte na tábua de queijos artesanais brasileiros (25 reais).
Avenida Ipiranga, 200, loja 69 (Edifício Copan), centro.
Quinta a sábado e segunda, 19h/0h; domingo, 17h/22h; fecha terça e quarta.

ZDELICENTRO1# Z Deli Centro
Com constantes filas na porta nas unidades dos Jardins e de Pinheiros, a célebre lanchonete inaugurou em dezembro sua mais nova (e bacana) filial, no centro de SP. A um quarteirão d’A Casa do Porco, a casa ocupa um salão retrô todo envidraçado no térreo do prédio tombado do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil). O balcão de 13 lugares, com banquetas de couro laranja, destaca-se na caprichada ambientação. Além dos excelentes hambúrgueres (como o classic, 26 reais), o cardápio traz ótimas novidades em relação às outras casas. Entre elas estão o cheese dog (14 reais) e o philly cheese steak (28 reais), apetitoso sanduíche na baguette com roast beef em tiras, cebola, jalapeño, queijo fundido e cheddar. Também exclusivo da unidade do centro é o imperdível O.G. bun (15 reais; foto), um pequeno e matador sanduíche no bun (pãozinho feito no vapor) que leva pastrami de wagyu, molho barbecue e coleslaw. Boas sugestões na hora de beber: o chope paranaense Maniacs Summer (10 reais), american pale ale de amargor na medida, e os drinques do bartender Caio Carvalhaes, como o old fashioned e o negroni (25 reais cada um), este com gim Tanqueray, Campari e blend dos vermutes Carpano Classico e Punt e Mes.
Rua Bento Freitas, 314, centro, tel. 3129-3162.
Segunda a quinta e domingo, 12h/0h; sexta e sábado, 12h/2h.

BIAHOI# Bia Hoi
A casa de inspiração vietnamita foi criada em novembro por um casal que tem um caso de amor com o país do sudoeste asiático. A chef e jornalista Dani Borges e seu marido, Fernando Brito, visitaram o Vietnã três vezes nos últimos cinco anos em busca de conhecer os sabores locais. Antes de montar o Bia Hoi, eles promoviam num apartamento na Avenida São Luiz o “Jantar no Centro”, no qual recebiam duas vezes por mês grupos de até 20 pessoas para jantares vietnamitas com cardápio fechado. Desdobramento desse projeto, o Bia Hoi traz no menu de preços atraentes boa parte destas receitas testadas desde 2016. Das entradinhas, o saboroso cha ca (25 reais) traz nacos de saint-peter marinados em tamarindo e passados na frigideira bem quente para ganhar casquinha crocante. Na finalização, recebem um interessante toque de dill e amendoim. Dois pratos principais brilharam. Tem tempero exemplar o thit ko tho (39 reais; foto), um picadinho de filé mignon suíno ao molho de leite de coco queimado. Igualmente apetitosa é o hoi an (40 reais). Servida com arroz de coco, esta macia costelinha de porco marinada em capim-limão é assada com cardamomo, canela, anis e cravo. A casa perde pontos pelos drinques, desequilibrados. Melhor bebericar o chope Jackpot 777 (10 reais), do tipo helles, ou cervejas da mesma microcervejaria Blondine, como as saborosas Horny Pig e Juicy IPA (21 reais cada uma). De terça a sexta-feira no almoço até 14h30, o menu-executivo com entrada, prato e sobremesa custa 39 reais.
Rua Rêgo Freitas, 516, Vila Buarque, tel.: (11) 3151-2508.
Terça a sexta, 12h/14h30 e 19h/23h; sábado, 12h/23h; fecha domingos e 2as-feiras.

ORFEU# Orfeu
Depois de fechar dois lugares que foram disputadíssimos na cidade — o Bar Secreto, onde dançaram Madonna e Bono Vox, e o Chez MIS (anota aí: o ponto foi repassado para o chef carioca Felipe Bronze, do Oro) —, o grupo Chez não demorou a hastear nova bandeira na cidade. Seus sócios, que comandam atualmente o Chez Oscar, na Rua Oscar Freire, resolveram apostar desta vez no centro de SP. Transformaram uma antiga agência de viagens na galeria do edifício Vila Normanda (vizinho ao Copan) no hypado Orfeu, inaugurado em novembro e novo destino na região de gente ávida por badalação. A casa, de pé-direito altíssimo, é toda aberta para uma rua particular e tem menu focado na cozinha brasileira. Os drinques não são o forte. Prefira uma cerveja como a Stella Artois (12 reais a garrafa de 550 mililitros), servida com copos de alumínio resfriados. Nas noites de sexta e sábado, o terraço-sacada do piso superior ganha ares de balada e, a partir da meia-noite, uma pistinha é montada num espaço onde durante o dia funciona uma escola de dança.
Avenida Ipiranga, 318 (bloco A), centro, tel.: (11) 3129-9531.
Terça a sexta, a partir das 12h; sábado e domingo, a partir das 12h30.

Jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista "Veja São Paulo" durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das edições anuais "Comer e Beber". Antes, trabalhou como colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos "Jornal da Tarde" e "Época São Paulo". Nos últimos dez anos, visitou dezoito países, sempre em busca de bons lugares para comer, beber, badalar e exercitar a boemia.

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