As homenagens serão muitas — e mais que merecidas. São Paulo perdeu ontem seu pontífice da coquetelaria, Derivan Ferreira de Souza (1955-2023). Teve um mal súbito em Lisboa nesta quinta (18/5), onde participava do evento Lisbon Bar Show ao lado de outras feras da área.

Paremos de rodar as colheres-bailarina, de desrosquear as garrafas e chacoalhar as coqueteleiras em 1 minuto de silêncio a este profissional que foi pai de toda uma geração de barmen — isso mesmo, barman!
Derivan já era uma das maiores autoridades em coquetelaria no Brasil muito antes de entrar na moda termos como ‘bartender’ e (argh!) ‘mixologista’.
Natural da Bahia, o carismático Derivan começou a estudar coquetelaria aos 17 anos e foi longe na carreira. Pertenceu ao alto escalão da International Bartenders Association (IBA), publicou livros, ganhou campeonatos e foi um dos principais responsáveis por incluir a caipirinha entre os coquetéis oficiais da entidade.

Sempre de paletó e gravata, ganhou notoriedade na época que dirigiu o saudoso Bistrô, que marcou história no centro paulistano, e o San Francisco Bay, na Rua Barão de Capanema, nos Jardins — piano-bar que também deixou saudades.
Nos meus anos de Veja SP, tive a sorte de beber seus drinques no improvável bar Tanoeiro, no Brooklin; no Esch Cafe, desviando das baforadas de charuto enquanto apreciava os dairiquis que ele havia aprendido no El Floridita, em Havana; no bar Número (ainda lembro daquele shakerato!); e, por último, no Blue Note SP, onde ele recebeu em 2019 a placa comemorativa do TASTE AND FLY.
Partiu uma lenda, mas seu legado continua.
Por trás do primeiro gole em um drinque perfeito sempre haverá um pouco de Derivan.
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